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Bonezinho pra trás: pizza com história

  • Foto do escritor: Lulu Peters
    Lulu Peters
  • 23 de jan.
  • 3 min de leitura

Atualizado: há 5 dias

A pizza que brinca com o resgate da infância: Festa.
A pizza que brinca com o resgate da infância: Festa.

Encontrar felicidade no simples, nos permitir ter sonhos, sonhados sem limite, ter coragem de experimentar, provar e, principalmente, de aprender como uma verdadeira esponja de conhecimento, sem julgamentos, apenas para decidir como se quer contribuir com o mundo.


Muitos adultos já descobriram que, para evoluir, o caminho é de resgate da sua criança, pois ela não é conduzida pelo ego e, sim, pelo interesse. Ela observa o mundo sem julgamentos, apenas para escolher o que gostaria de fazer. O Chef - que eu considero visionário - Daniel Larsan parece realmente viver conforme essa diretriz: o importante é querer aprender e fazer bem feito. Se vai dar certo ou não, quase nunca está nas nossas mãos.


Daniel fez isso. Se perdeu e se encontrou na jornada de volta à sua criança, que queria viajar e hoje viaja pelo mundo para aprender. A criança que queria comer no Best Friends em Las Vegas e conseguiu. A criança que imaginou o Madre Teresa Deli e o concretizou, até o ponto de reconhecimento local e nacional.


Agora, essa criança vira seu bonezinho para trás e mete a mão na massa, literalmente.


Uma massa de leveza indescritível, cuja borda transborda em pura química de enzimas quebradas, fermentação lenta, ar e fogo, que, juntos, criam algo tão delicioso quanto acolhedor, que é a pizza. E não qualquer pizza.


Com uma "volta" global de influências, começando, claro, pela Itália, Daniel também vai à Argentina, L.A, Espanha, SP e até Taguatinga para provar que a origem é, sim, italiana, mas a pizza já é do mundo.


Combinações clássicas, como a Marguerita, feita com basilicão, Fior di Latte e molho de tomate, ou a Fugazzeta argentina com muito queijo e cebola adocicada são certeiras e executadas à perfeição. Equilíbrio nas proporções de cada ingredientes e seus respectivos dulçor e acidez.


Outras produções mais arriscadas me conquistaram com força. A Danny Boy, inspirada na receita Sunny Boy da Pizzeria Bianco em Los Angeles, leva fior di latte, salame estilo sopressata e azeitona estilo gaeta, bem polpuda. Outra receita com toque americanizado, que eu amei, leva peperoni, alho laminado adocicado com maple syrup, também usada para finalizar.


A Tapas, inspirada, é claro, na espanha, é servida "picadinha" com jamón e aliche. A homenagem para Taguatinga usa produtos mais fortes da casa, como o Pastrami e o picles, um toque de aioli, e surpreende pela combinação inusitada e maravilhosa com a romã.


Sim, teve mais. Xavier X pra homenagear o mentor pizzaiolo, Alexandre Xavier, é a quatro queijos da casa, muito equilibrada e saborosa e apresentada com flor comestível. Pizza de gorgonzola com pera, que, apesar de não ser novidade, ganhou pontos pela fruta bem madura, como deve ser, além de um toque de mel, castanhas e pistache, atingindo a Perfeição de doce e salgado.


Apesar de tudo ter um conceito, tudo se traduz na boca, sem explicações necessárias. E ISSO é gastronomia. Pode até haver uma explicação. Mas não é ela que "segura" a comida. A comida tem que falar por si, e a pizza da Bonezinho pra Trás fala, e fala muito bem. Afinal, hoje, é muito fácil saber se uma pizza é boa. Se você come até a borda, é muito boa. Se você seria capaz de comer apenas a borda, e de balde, acredite, essa é uma pizza maravilhosa.


Daniel gosta do conceito altruísta do catolicismo. Isso inclui a exaltação da pobreza e da escassez como forma de reconhecer a fartura e a bonança, mas, quando o faz nunca é brega, nunca aparece sem propósito, mero marketing.


Para qualquer crítico gastronômico, a última pizza, chamada de Festa, pode parecer uma afronta gastronômica. Mas quando se conhece o trabalho de Daniel você sabe que, sim, isso veio do seu âmago, do seu interior, do seu sonho de alimentar a sua própria criança.


Uma pizza feita de puro suco de Cosme e Damião, daqueles que vivíamos até quando a família não tinha religião. Quando o cinismo da vida adulta não tinha nos atingido. Uma lambança de marshmallow, suspiro, confeito de chocolate e tubetes recheado. Não, certamente não será minha escolha. Mas ela foi certeira na hora de passar a inspiração central, que é arriscar-se, testar, curtir sem medo de falhar. E é isso que Daniel traz: o fim do cinismo, com a Bonezinho Pra Trás.


PS: carta de drinks está um espetáculo! Não perca o Bloody Mary, bem porrada, e o Amaretto Sour que harmonizou demais com vários sabores!


QSD 53, lote 2 - Taguatinga Sul.

Referência: Próximo à estação de metrô Taguatinga Sul.

Instagram: @madreteresadeli.



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©2023 por lulupeters

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